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Thursday, September 2, 2010

MacBook Air — Uma visão do futuro

Posted by Mac² on 03/03/2008

O iPhil coloca hoje no seu blog a seguinte pergunta: (apesar do preço e menores capacidades) compravam um MacBook Air?

A minha resposta é um pouco longa para um comentário, pelo que faço dela um post.

Para mim a resposta deve ter em conta duas perguntas e meia (meia, porque está dependente das anteriores):

1) Até que ponto a portabilidade é essencial?

2) Até que ponto o design é um aspecto de maior importância?

2 1/2) Até que ponto a portabilidade e o design nos fazem esquecer o menor espaço no disco, a falta de drive óptica, a menor velocidade (o mais lento dos Macs actuais), o número reduzido de portas USB ou Firewire, a ausência de outras (ethernet, etc.), e a impossibilidade de trocarmos a bateria (em especial tendo em conta que a bateria do MBA não tem grande capacidade).

Muito dizem que o MBA é um produto de nicho de mercado. Concordo. Está muito mais virado para quem viaja, ou necessita de um laptop peso pluma, do que para a maioria dos utilizadores. E, claro, é extremamente apelativo para quem gosta de um bom design: o MBA está cheio de charme, de linhas elegantes e marca a diferença. Há quem diga até que é um excelente segundo computador, mas não um bom computador principal.

Tudo isto é verdade, mas também é um facto que o MBA tem encantado muitos utilizadores que à primeira vista não seriam os principais alvos. Há quem os defenda com unhas e dentes (Will Shipley, por exemplo). Inclusive pessoas que não precisam de um ultra-portátil, nem desejam apenas um super-design e que não têm outro computador (veja-se, a propósito, o Daring Fireball). As razões são várias e o MBA tem vendido mais do que inicialmente se imaginaria: na Amazon, por exemplo, está classificado no 22º lugar de vendas nos “Bestsellers in Computers & PC Hardware”. Nada mal para produto de nicho.

Todavia, pelas razões que o Phil e muitos outros apresentam, este MBA não será um verdadeiro best-seller: o MacBook é muito mais barato, mais versátil e com portabilidade q.b.; o MacBook Pro tem muito mais capacidades e substituí qualquer desktop (a não ser que o tamanho do monitor seja muito importante na nossa vida, e garanto que depois de usar um iMac 24′, passar para um MBP de 15′ faz muita diferença).

Assim sendo, porquê fazer um produto como o MBA?

Como é lógico não sei o que passa pelas mentes (muitas vezes) iluminadas que andam pelo Infinite Loop em Cupertino. “O segredo é a alma do negócio” sempre foi, aliás, um dos principais mottos da Apple. Faz parte da estratégia e sua mística. Não obstante, tenho cá para mim que a principal razão é desbravar novo terreno. O MBA não é ainda um best-seller, é certo, mas é um dos caminhos do futuro que será marcado necessariamente pela ultra-portabilidade e pelo wireless, tanto no mercado profissional, como no pessoal.

Imaginem um MBA daqui a dois/três anos quando tiver como base um disco SSD de 300GB e maior rapidez. A tecnologia terá certamente evoluído ao ponto das ligações USB e Firewire serem (semi-)caducas. O wireless dominará ainda mais: os hotspots serão em maior número e oferecerão melhores velocidades e os fios nas nossas secretárias serão reduzidos ao mínimo.

É bem possível que o futuro dos portáteis passe mais por revisões do MBA do que do MBP. Até pode não acontecer (as minhas capacidades de Cassandra não são infalíveis), mas é possível e quase diria provável.

Há uns dias atrás dei comigo a maldizer o peso do MBP que me anda sempre atrelado. Pensei para com os meus botões que no futuro deveria comprar um MB: um pouco mais leve apesar de menos capaz (excepto na bateria, que é excelente). Mas, na verdade, prefiro 1.40 a 2.30 kg, gosto mais do prateado do que do branco ou do preto, e gosto da teclas retro-iluminadas. (Também prefiro um monitor antiglare a glossy, em especial num portátil.) Na realidade o que eu quero é um MBA com mais capacidade de disco e mais facilidade de conexão. Mais rápido também. E não pagar balúrdios por todos os extra.

Estou convencida que isso existirá no futuro. Entretanto, posso esperar.

E para responder ao Phil: Agora não, mas no futuro (que acima imagino) é bem possível que sim. Por agora fico muito contente que a Apple diversifique os seus produtos. Quantos mais melhor.

  • Phil said,

    Agora, deixo a minha resposta…

    Houve muita coisa que ficou por dizer no meu post e vejo que lancei um desafio interessante…

    De facto, enquadro-me perfeitamente na tua resposta. Sinceramente, hoje, o MBA é um produto que fica a perder e muito face aos seus “irmãos”, os MB e os MBP, mas no futuro, quem sabe…o caminho do futuro será feito sem fios, quanto a isso acho que não há dúvidas e num cenário Wireless, o MBA é quase perfeito e o futuro pode ser brilhante. Só espero que a Apple não insista em produtos que ficam com o rótulo de “Quase perfeitos”….é assim com o iPhone, tinha tudo para ser perfeito, mas a Apple tenta vender o peixe o mais possível, até ser perfeito, se é que isso vai alguma vez acontecer.

    O MBA, poderá sofrer do mesmo mal…

    Agora o que eu queria mesmo era um iMac…até podia ser de 20 polegadas :P

  • ArmPauloFerreira said,

    Maria João, juntando às tuas boas apreciações sobre este questionável produto Apple, junto as minhas abordagens ao Air, também.

    http://armpauloferreira.blogspot.com/2008/03/afinal-porque-escolher-o-macbook-air.html

  • mac2 said,

    @Phil –

    Acho que o “quase prefeito” é na cabeça de cada um. Eu não hesitaria em comprar um iPhone se o preço não se prolongasse por dois anos. Gosto pouco do esquema, apesar de ainda não ter dito definitivamente “não!” ao iPhone, que em tudo o mais acho brilhante.

    @Armindo –

    Também não acho o MBA “questionável”; pelo menos não no sentido literal do termo: questionar a sua valia (é esse o sentido que queres dar?).

    Acho sim um produto demasiadamente “p’rá frentex” em alguns aspectos (a história da Apple é feita destes produtos) e ainda pouco versátil.

    O seu futuro pode ser muito, mas muito risonho.

  • Daniel said,

    Na minha opinião o Air neste momento é um produto desenvolvido muito para o mercado USA (que é ainda o mercado mais importante para a Apple), para pessoas que necessitam de um 3º ou 4º computador, portátil ao máximo, com boa autonomia (embora pareça que deixa a desejar neste aspecto mesmo na versão com SSD) e que já possuem uma rede de computadores que funcionarão como “hub” de informação para o Air sincronizar. No futuro com WIFI ubíqua (embora cá na UE tenha havido uns reveses neste sentido), com os SSD com maior capacidade, e mais baratos, aí sim poderá ser uma máquina para mim…

  • ArmPauloFerreira said,

    Maria João, quando me refiro a questionável é no sentido literal da palavra. Afinal d contas desde que foi introduzido todos nós nos questionamos acerca do MBAir sendo o ponto pertinente termos uma justificação para realmente o comprar. Se com o MacBook (branco/preto) temos mais por menos dinheiro com o mesmo factor de tamanho: porque que é que ele é tão apelativo? Será só por ser fino e leve? Acho que não…

    Tal como já havia referido o seguinte artigo que publiquei aborda uma diferente perspectiva para encontrar resposta a isso:
    http://armpauloferreira.blogspot.com/2008/03/afinal-porque-escolher-o-macbook-air.html

    Para responder aos users mais sérios e intensivos, ver este:
    http://armpauloferreira.blogspot.com/2008/01/macbook-air-detalhes-e-consideracoes.html

    O Air, na minha visão, não é para todos. É apenas para um determinado nicho que a Apple anda a tentar mimar mais…
    O Air é algo que neste momento representa aquilo que acontecerá no futuro aos portáteis.

  • mac2 said,

    @ Armindo –

    Volto a questionar o “questionável”. :) Ou seja, acho que, nesse ponto de vista, todos os produtos que não apelam à maioria são questionáveis.

    E não tenho assim tanta certeza que o lançamento do MBA seja apenas o de aliciar um nicho. Julgo que a Apple está a testar as águas e a forçar caminhos. Como já disse anteriormente, a história da Apple é feita de produtos “pioneiros” que marcaram standards futuros (e de produtos que, apesar de não terem êxito, criaram precedentes essenciais; basta pensar no Newton).

    A ver vamos se até ao fim do ano surge ou não um side kick do iPod Touch… mais mini iMac Touch. Não me admirava.

  • João Carvalhinho said,

    Olá… A minha visão é um pouco ao lado da vossa.

    A apple ao criar esta máquina fez a coisa a pensar num nicho específico, de pessoas com dinheiro que Trabalham, com muita mobilidade à mistura, mas que vivem um pouco da impressão que causam. Falo dos advogados, falo dos consultores, mas falo sobretudo dos decisores das empresas que têm que levar o trabalho para casa. [Não falo dos decisores portugueses que estamos habituados a pensar (e.g. admins de empresas públicas)]

    No entanto, a principal influencia que isto terá não é ao nível do utilizador em si. Quando o director de RH chega do seu pequeno almoço na esplanada das docas onde esteve a ver a bolsa online, quer ligar aos seus sistemas corporativos sem problemas e sobretudo quer ter apoio técnico sempre que necessário. Que não “instala software” e que não ripa cds pois a B&O serve-lhe perfeitamente e prefere ler o jornal on-line a ver um filme… um workaholic..

    Ora todos sabemos que os decisores de TI não escolhem Mac para não terem que suportar dois sistemas concorrentes. Então… Capta-se a atenção de quem escolhe os decisores de TI… forçando-os a preparar-se para sistemas mac dentro da empresa… abrindo caminho à utilização de outros computadores da marca da maçã pela estrutura a fora.

    Simple, easy and elegant… pensar diferente.

  • mac2 said,

    @JC –

    Se bem entendi esse é tb a ideia do Armindo.

    Até acredito que esse nicho seja um dos alvos, mas duvido que a Apple vise *apenas* esse utilizadores tão específicos.

  • João Carvalhinho said,

    Claro que não… mas ninguém cria um produto estanque a pensar apenas num nicho… é orientado… mas suficientemente abrangente para tocar necessidades aproximadas ou pequenos subsets das necessidades do nicho principal que fazem parte de grupos de necessidades de outros nichos.

    Neste caso:
    Peso, status display e workforce oriented.

  • mac2 said,

    @JC –

    Então concordamos. :)

  • AppleTuga :: Considerações sobre o MacBook Air said,

    [...] terceiro artigo é da Maria João, que vê o MacBook Air como um produto pioneiro, avançado para a época, como a [...]

  • ArmPauloFerreira said,

    @João Carvalhinho: gostei muito da tua apreciação e ponto de vista. Revela que estamos em sintonia neste caso. Não quero dizer que discordo das observações da Maria João (na verdade o que ela escreveu completa a minha abordagem – e ser pioneira também faz parte dos principios do nicho que me referi).

    É bom ver que se anda a publicar artigos com análise livre, argumentada e aprofundada. É que andar os blogues só a dizer que saiu isto… e faz aquilo e tal… ou seja unicamente o estilo relato, não motiva o mesmo interesse que as opiniões aprofundadas de cada um sobre o produto.
    Sinto que as abordagens e comentários que aparecerem por aqui sobre o Air estará ao nível daquilo que por vezes lemos “lá fora” como na MacWorld.com, ARS Tecnica e outros bons analistas.

    Good job!

    Off-topic: o meu nome é Armindo (“Arm” é a abreviação que uso na minha assinatura.

  • mac2 said,

    Armindo! (Está corrigido — desculpa.)

    Bom, ao nível da MW e da AT… talvez não. Mas não envergonha. ;)

  • Considerando sobre as considerações acerca do MacBook Air « Spinning beachball said,

    [...] dos posts do iPhil, da Maria e do Paulo Ferreira. Os três merecem uma leitura cuidada e atenta mas uma resposta [...]

  • Macbook Air… « sixhat pirate parts said,

    [...] seja, depois do Phil e da Maria João Valente terem falado do assunto e de ter referido na altura que não me interessava o formato uma vez que o [...]

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