MacBook Air — Uma visão do futuro
Posted by Mac² on 03/03/2008
O iPhil coloca hoje no seu blog a seguinte pergunta: (apesar do preço e menores capacidades) compravam um MacBook Air?
A minha resposta é um pouco longa para um comentário, pelo que faço dela um post.
Para mim a resposta deve ter em conta duas perguntas e meia (meia, porque está dependente das anteriores):
1) Até que ponto a portabilidade é essencial?
2) Até que ponto o design é um aspecto de maior importância?
2 1/2) Até que ponto a portabilidade e o design nos fazem esquecer o menor espaço no disco, a falta de drive óptica, a menor velocidade (o mais lento dos Macs actuais), o número reduzido de portas USB ou Firewire, a ausência de outras (ethernet, etc.), e a impossibilidade de trocarmos a bateria (em especial tendo em conta que a bateria do MBA não tem grande capacidade).
Muito dizem que o MBA é um produto de nicho de mercado. Concordo. Está muito mais virado para quem viaja, ou necessita de um laptop peso pluma, do que para a maioria dos utilizadores. E, claro, é extremamente apelativo para quem gosta de um bom design: o MBA está cheio de charme, de linhas elegantes e marca a diferença. Há quem diga até que é um excelente segundo computador, mas não um bom computador principal.
Tudo isto é verdade, mas também é um facto que o MBA tem encantado muitos utilizadores que à primeira vista não seriam os principais alvos. Há quem os defenda com unhas e dentes (Will Shipley, por exemplo). Inclusive pessoas que não precisam de um ultra-portátil, nem desejam apenas um super-design e que não têm outro computador (veja-se, a propósito, o Daring Fireball). As razões são várias e o MBA tem vendido mais do que inicialmente se imaginaria: na Amazon, por exemplo, está classificado no 22º lugar de vendas nos “Bestsellers in Computers & PC Hardware”. Nada mal para produto de nicho.
Todavia, pelas razões que o Phil e muitos outros apresentam, este MBA não será um verdadeiro best-seller: o MacBook é muito mais barato, mais versátil e com portabilidade q.b.; o MacBook Pro tem muito mais capacidades e substituí qualquer desktop (a não ser que o tamanho do monitor seja muito importante na nossa vida, e garanto que depois de usar um iMac 24′, passar para um MBP de 15′ faz muita diferença).
Assim sendo, porquê fazer um produto como o MBA?
Como é lógico não sei o que passa pelas mentes (muitas vezes) iluminadas que andam pelo Infinite Loop em Cupertino. “O segredo é a alma do negócio” sempre foi, aliás, um dos principais mottos da Apple. Faz parte da estratégia e sua mística. Não obstante, tenho cá para mim que a principal razão é desbravar novo terreno. O MBA não é ainda um best-seller, é certo, mas é um dos caminhos do futuro que será marcado necessariamente pela ultra-portabilidade e pelo wireless, tanto no mercado profissional, como no pessoal.
Imaginem um MBA daqui a dois/três anos quando tiver como base um disco SSD de 300GB e maior rapidez. A tecnologia terá certamente evoluído ao ponto das ligações USB e Firewire serem (semi-)caducas. O wireless dominará ainda mais: os hotspots serão em maior número e oferecerão melhores velocidades e os fios nas nossas secretárias serão reduzidos ao mínimo.
É bem possível que o futuro dos portáteis passe mais por revisões do MBA do que do MBP. Até pode não acontecer (as minhas capacidades de Cassandra não são infalíveis), mas é possível e quase diria provável.
Há uns dias atrás dei comigo a maldizer o peso do MBP que me anda sempre atrelado. Pensei para com os meus botões que no futuro deveria comprar um MB: um pouco mais leve apesar de menos capaz (excepto na bateria, que é excelente). Mas, na verdade, prefiro 1.40 a 2.30 kg, gosto mais do prateado do que do branco ou do preto, e gosto da teclas retro-iluminadas. (Também prefiro um monitor antiglare a glossy, em especial num portátil.) Na realidade o que eu quero é um MBA com mais capacidade de disco e mais facilidade de conexão. Mais rápido também. E não pagar balúrdios por todos os extra.
Estou convencida que isso existirá no futuro. Entretanto, posso esperar.
E para responder ao Phil: Agora não, mas no futuro (que acima imagino) é bem possível que sim. Por agora fico muito contente que a Apple diversifique os seus produtos. Quantos mais melhor.
Bom, sou arqueóloga e professora. Nas horas vagas, mac geek com uma perninha no mundo dos podcasts (TriploExpresso). Não se deixem enganar pelo nome do blogue, pois os temas que por aqui pululam são mais vastos: escrevo sobre a apetitosa maçã, sim, mas não me coibo de falar de política, cinema e tudo o que mais me apetecer. É essa a essência de um blogue pessoal. (Há mais informações na página
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Phil said,
Agora, deixo a minha resposta…
Houve muita coisa que ficou por dizer no meu post e vejo que lancei um desafio interessante…
De facto, enquadro-me perfeitamente na tua resposta. Sinceramente, hoje, o MBA é um produto que fica a perder e muito face aos seus “irmãos”, os MB e os MBP, mas no futuro, quem sabe…o caminho do futuro será feito sem fios, quanto a isso acho que não há dúvidas e num cenário Wireless, o MBA é quase perfeito e o futuro pode ser brilhante. Só espero que a Apple não insista em produtos que ficam com o rótulo de “Quase perfeitos”….é assim com o iPhone, tinha tudo para ser perfeito, mas a Apple tenta vender o peixe o mais possível, até ser perfeito, se é que isso vai alguma vez acontecer.
O MBA, poderá sofrer do mesmo mal…
Agora o que eu queria mesmo era um iMac…até podia ser de 20 polegadas
ArmPauloFerreira said,
Maria João, juntando às tuas boas apreciações sobre este questionável produto Apple, junto as minhas abordagens ao Air, também.
http://armpauloferreira.blogspot.com/2008/03/afinal-porque-escolher-o-macbook-air.html
mac2 said,
@Phil –
Acho que o “quase prefeito” é na cabeça de cada um. Eu não hesitaria em comprar um iPhone se o preço não se prolongasse por dois anos. Gosto pouco do esquema, apesar de ainda não ter dito definitivamente “não!” ao iPhone, que em tudo o mais acho brilhante.
@Armindo –
Também não acho o MBA “questionável”; pelo menos não no sentido literal do termo: questionar a sua valia (é esse o sentido que queres dar?).
Acho sim um produto demasiadamente “p’rá frentex” em alguns aspectos (a história da Apple é feita destes produtos) e ainda pouco versátil.
O seu futuro pode ser muito, mas muito risonho.
Daniel said,
Na minha opinião o Air neste momento é um produto desenvolvido muito para o mercado USA (que é ainda o mercado mais importante para a Apple), para pessoas que necessitam de um 3º ou 4º computador, portátil ao máximo, com boa autonomia (embora pareça que deixa a desejar neste aspecto mesmo na versão com SSD) e que já possuem uma rede de computadores que funcionarão como “hub” de informação para o Air sincronizar. No futuro com WIFI ubíqua (embora cá na UE tenha havido uns reveses neste sentido), com os SSD com maior capacidade, e mais baratos, aí sim poderá ser uma máquina para mim…
ArmPauloFerreira said,
Maria João, quando me refiro a questionável é no sentido literal da palavra. Afinal d contas desde que foi introduzido todos nós nos questionamos acerca do MBAir sendo o ponto pertinente termos uma justificação para realmente o comprar. Se com o MacBook (branco/preto) temos mais por menos dinheiro com o mesmo factor de tamanho: porque que é que ele é tão apelativo? Será só por ser fino e leve? Acho que não…
Tal como já havia referido o seguinte artigo que publiquei aborda uma diferente perspectiva para encontrar resposta a isso:
http://armpauloferreira.blogspot.com/2008/03/afinal-porque-escolher-o-macbook-air.html
Para responder aos users mais sérios e intensivos, ver este:
http://armpauloferreira.blogspot.com/2008/01/macbook-air-detalhes-e-consideracoes.html
O Air, na minha visão, não é para todos. É apenas para um determinado nicho que a Apple anda a tentar mimar mais…
O Air é algo que neste momento representa aquilo que acontecerá no futuro aos portáteis.
mac2 said,
@ Armindo –
Volto a questionar o “questionável”.
Ou seja, acho que, nesse ponto de vista, todos os produtos que não apelam à maioria são questionáveis.
E não tenho assim tanta certeza que o lançamento do MBA seja apenas o de aliciar um nicho. Julgo que a Apple está a testar as águas e a forçar caminhos. Como já disse anteriormente, a história da Apple é feita de produtos “pioneiros” que marcaram standards futuros (e de produtos que, apesar de não terem êxito, criaram precedentes essenciais; basta pensar no Newton).
A ver vamos se até ao fim do ano surge ou não um side kick do iPod Touch… mais mini iMac Touch. Não me admirava.
João Carvalhinho said,
Olá… A minha visão é um pouco ao lado da vossa.
A apple ao criar esta máquina fez a coisa a pensar num nicho específico, de pessoas com dinheiro que Trabalham, com muita mobilidade à mistura, mas que vivem um pouco da impressão que causam. Falo dos advogados, falo dos consultores, mas falo sobretudo dos decisores das empresas que têm que levar o trabalho para casa. [Não falo dos decisores portugueses que estamos habituados a pensar (e.g. admins de empresas públicas)]
No entanto, a principal influencia que isto terá não é ao nível do utilizador em si. Quando o director de RH chega do seu pequeno almoço na esplanada das docas onde esteve a ver a bolsa online, quer ligar aos seus sistemas corporativos sem problemas e sobretudo quer ter apoio técnico sempre que necessário. Que não “instala software” e que não ripa cds pois a B&O serve-lhe perfeitamente e prefere ler o jornal on-line a ver um filme… um workaholic..
Ora todos sabemos que os decisores de TI não escolhem Mac para não terem que suportar dois sistemas concorrentes. Então… Capta-se a atenção de quem escolhe os decisores de TI… forçando-os a preparar-se para sistemas mac dentro da empresa… abrindo caminho à utilização de outros computadores da marca da maçã pela estrutura a fora.
Simple, easy and elegant… pensar diferente.
mac2 said,
@JC –
Se bem entendi esse é tb a ideia do Armindo.
Até acredito que esse nicho seja um dos alvos, mas duvido que a Apple vise *apenas* esse utilizadores tão específicos.
João Carvalhinho said,
Claro que não… mas ninguém cria um produto estanque a pensar apenas num nicho… é orientado… mas suficientemente abrangente para tocar necessidades aproximadas ou pequenos subsets das necessidades do nicho principal que fazem parte de grupos de necessidades de outros nichos.
Neste caso:
Peso, status display e workforce oriented.
mac2 said,
@JC –
Então concordamos.
AppleTuga :: Considerações sobre o MacBook Air said,
[...] terceiro artigo é da Maria João, que vê o MacBook Air como um produto pioneiro, avançado para a época, como a [...]
ArmPauloFerreira said,
@João Carvalhinho: gostei muito da tua apreciação e ponto de vista. Revela que estamos em sintonia neste caso. Não quero dizer que discordo das observações da Maria João (na verdade o que ela escreveu completa a minha abordagem – e ser pioneira também faz parte dos principios do nicho que me referi).
É bom ver que se anda a publicar artigos com análise livre, argumentada e aprofundada. É que andar os blogues só a dizer que saiu isto… e faz aquilo e tal… ou seja unicamente o estilo relato, não motiva o mesmo interesse que as opiniões aprofundadas de cada um sobre o produto.
Sinto que as abordagens e comentários que aparecerem por aqui sobre o Air estará ao nível daquilo que por vezes lemos “lá fora” como na MacWorld.com, ARS Tecnica e outros bons analistas.
Good job!
Off-topic: o meu nome é Armindo (“Arm” é a abreviação que uso na minha assinatura.
mac2 said,
Armindo! (Está corrigido — desculpa.)
Bom, ao nível da MW e da AT… talvez não. Mas não envergonha.
Considerando sobre as considerações acerca do MacBook Air « Spinning beachball said,
[...] dos posts do iPhil, da Maria e do Paulo Ferreira. Os três merecem uma leitura cuidada e atenta mas uma resposta [...]
Macbook Air… « sixhat pirate parts said,
[...] seja, depois do Phil e da Maria João Valente terem falado do assunto e de ter referido na altura que não me interessava o formato uma vez que o [...]
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