Posted by Mac² on 30/01/2010
Custa-me escrever audiolivros, audiobooks soa-me melhor. Talvez porque eu nunca tenha ouvido um audiolivro, no sentido em que apenas ouvi audiobooks em versão original e, no caso particular, em inglês. Perdoar-me-á o leitor a anglofilia.
Audiobooks? Porquê?
Há semanas em que passo muito tempo dentro do carro — cerca de 2 horas por dia. Para alguém que, como eu, não tem um imenso gosto em guiar (não menosprezando o meu simpático Honda Civic 1.8), essas 2 horas são… chatas. Por isso, como muitos, oiço rádio. O problema da rádio é que, à hora em que estou no carro, ou me viro para a música (e aí prefiro os CDs) ou para as conversas e/ou entrevistas. Infelizmente estas deixam-me com azia após o rol interminável de más notícias (sim, refiro-me, por exemplo, à TSF ou à Rádio Popular).
Essa azia levou-me aos podcasts. É assim que oiço o MacBreak Weekly, o MacJuri ou, por vezes, o Pessoal e Transmissível. Mas após 20 ou 30 podcasts uma pessoa farta-se um pouco. Passei pela audição de leituras ou peças teatrais na BBC; uma experiência interessante mas não duradoura. E eis-me nos audiobooks, que permitem uma maior variedade de estilos auditivos, quer no género (ficção e não-ficção, com todos os subgéneros), quer em formato (CD ou mp3, via iPod ou via consola do carro, etc).
A escolha: Dan Brown e Greg Iles

Os dois últimos audiobooks que escolhi ouvir são interessantes pela experiência comparativa que permitem. Tratam-se de dois “policiais” de autores afamados: o The Lost Symbol do Dan Brown, lido por Paul Michael (link) e o Blood Memory do Greg Iles, lido por Joyce Bean (link). O primeiro livro não me vinha recomendado positivamente, mas seguindo a velha máxima do meu avô — gostos não se discutem, lamentam-se! — tal não me impediu de o começar a ouvir (que estranho usar o verbo “ouvir” em vez de “ler” quando nos referimos a um livro). O segundo é de um autor que sempre gostei de ler e do qual recomendo quase todas as obras.
Ouvir audiobooks
Ouvir um audiobook é uma experiência diferente de ler um livro. Bem mais diferente do que eu esperava, pois existem aspectos que condicionam, e em muito, a experiência. Por exemplo, a velocidade em que a história se desenvolve não é decidida pelo leitor/ouvinte. Por mais rápidos que sejamos na leitura de livros, o desenrolar de um audiobook ultrapassa o nosso controlo. Alguém o lê, numa velocidade que não é nossa, e nós assumimos um papel muito mais passivo que aquando da nossa própria leitura. Depois, numa versão audio é-nos muito mais difícil saltar a leitura em frente e bisbilhotar algum do texto (ou mesmo o final). Neste aspecto, ouvir um audiobook oferece uma experiência semelhante à de ir ao cinema ver um filme ou ao teatro ver uma peça.
Outro aspecto muito interessante é o do lugar em que nós, receptores da mensagem, nos posicionamos face à mensagem emitida. Passo a explicar… Quando eu leio um livro não o leio em voz alta, mas dentro do cérebro existe uma voz, minha, que me conta uma história. Numa história de ficção, a determinado momento essa voz e a personagem central (ou as personagens centrais) misturam-se e o receptor (eu, neste caso) estabelece uma ligação afectiva com a personagem. Na minha perspectiva, se esta ligação não existe, o autor do livro falhou no seu objectivo. Ora, num audiobook essa voz, mais óbvia e intrusiva, não é a nossa e a tal “ligação afectiva” demora mais tempo a estabelecer-se, uma vez que entre a personagem e o receptor existe um entreposto. A qualidade desse entreposto (a voz que emite o texto) é-de extrema importância: a entoação, a utilização de tons diferenciados conforme as personagens, as pausas, os tiques… tudo isso contribui para a nossa experiência (melhor ou pior) como ouvintes.
Resultados diferentes
E eis-nos de novo nos dois livros que me propus ouvir. O mesmo esquema, mas resultados totalmente diferentes.
O livro do Dan Brown é francamente mau. A história tem uma premissa interessante, como todos os livros que li dele, mas o desenrolar é, no mínimo, irritante: o esquema básico de cada capítulo, na tentativa crescente de preparação do inevitável cliffhanger; o comportamento paternalista do personagem principal que mais parece uma mini-enciclopédia ambulante; a típica personagem feminina secundária, maçadora até dizer chega; o suposto vilão que já não traz nada de novo, sendo uma mistura-e-toca-o-mesmo dos outros vilões do Dan Brown; o mesmo tom batido e esbatido (sim, esbatido) da teoria da conspiração; os erros óbvios de quem sabe muito sobre nada e sabe um pouquinho sobre tudo.
Esta irritação é amplificada pela leitura de Paul Michael. Note-se que Paul Michael tem uma excelente voz, baixa, grave; muito clara e fácil de entender. Mas as mudanças de tons que aplica quando muda de personagem são verdadeiramente patéticas ou, se preferirem, exasperantes. Tanto que, após chegar ao vigésimo capítulo (mais ou menos), não aguentei mais e tive que parar de ouvir o audiobook.
Clicar aqui para ouvir um excerto do “The Lost Symbol”
É possível que tivesse acabado de ler o livro caso o seu formato fosse escrito, mas não consegui passar de 1/4 do audiobook. Ouvir o The Lost Symbol neste formato audio foi um fracasso e, sendo mais óbvia, diria que a experiência foi má, provavelmente muito má.
O livro de Greg Iles é melhor. Peca por ser demasiado longo e ter uma personagem principal de idade inferior (31 anos) à que deveria ter na realidade, mas a história está bem esgalhada com três linhas principais (a vida actual da personagem principal; a vida passada e traumática da personagem principal e sua família; e uma série de crimes na actualidade) que se cruzam e re-cruzam. À primeira vista, o cenário é menos cativante que o do livro de Dan Brown (trata-se de Natchez e de New Orleans, ao invés de Washington), mas a velha máxima de “escreve sobre o que sabes e não inventes demasiado” aplica-se na perfeição. Greg Iles apresenta temas negros, para alguns leitores certamente demasiado negros (o abuso sexual de crianças e os traumas que deixa, a Guerra do Vietname e o alcoolismo); contudo, conseguiu deixar-me curiosa e atenta, ao invés de enfadada ou horrorizada.
A voz de Joyce Bean é quase perfeita. Tal como a de Paul Michael é agradável e clara, com o extra de apresentar sotaque do Mississipi, que eu sempre achei de enorme charme e que fica muito bem na personagem principal. As variantes vocais utilizadas para as personagens secundárias são bem feitas e óbvias na sua distinção, usando inclusive alguma tecnologia extra para modificar o som quando a voz é supostamente ouvida ao telefone. Mas nem tudo é perfeito: o audiobook falha, sobretudo, na transição dos CDs quando é embutida uma música de fundo, como que em aviso de que o CD está a acabar ou a começar.
Clicar aqui para ouvir um excerto do “Blood Memory”
Ainda não acabei o audiobook do Greg Iles, mas deixei de o ouvir apenas no carro para o ouvir também em casa. Isto é um óbvio êxito. De certo modo, apaixonei-me pela personagem principal (curiosamente cheia de vícios e defeitos) e pela sua voz. Extraordinária é a estranha reacção que tive com o vilão. O vilão é-nos apresentado como alguém frio, calculista, e até repugnante, mas quando a interacção entre ele, a personagem principal e nós (receptores) se estabelece de facto, a metamorfose é interessantíssima. No fim, compreendemos a atracção (não sexual, note-se) que a personagem principal sente por alguém que tem uma experiência de vida e uma inteligência fora do comum e que, como tal, a pode ajudar a entender o passado e o presente. Compreendemo-la porque também a sentimos.
Prometedor é o mínimo que, por agora, posso dizer deste audiobook e tal deve-se, não só a Greg Iles, mas também a Joyce Bean, que aliás já ganhou vários prémios como leitora de audiobooks.
À laia de conclusão final
Ouvir um audiobook não é o mesmo que ler um livro. A história de base está lá, mas é certamente melhorada ou piorada pela qualidade do leitor do audiobook. De certo modo é como uma matéria escolar e o professor: o interessante pode ser uma estopada e uma estopada pode tornar-se interessante.
Uma coisa garanto, se o audiobook é bom, as 2 horas diárias de carro deixam de ser uma maçada para se tornarem curtas.
Posted by Mac² on 02/01/2010
A minha lista de produtos preferidos em 2009:
No Mac
Dropbox. A sincronização de ficheiros entre os meus computadores e a net nunca foi tão fácil. Mal me lembro que o Dropbox está a funcionar. Não é perfeito, mas foi essencial no passado ano. (Nota: link com referral.)
LaunchBar. Já o disse e volto a repetir: nos meus computadores a primeira aplicação a instalar é o LaunchBar. Faço tudo com ele: mover ficheiros, abrir webpages, começar emails, lançar scripts, fazer contas básicas, etc.
DEVONthink Pro. Desde que a v.2 (ainda que em beta) saiu, o DTP não deixa de estar aberto. Imaginem um imenso armazém (base de dados) onde tudo o que é informação está organizado. (Até os meus feeds mais especializados, ou os meus ebooks em formato html.)
HardwareGrowler. Pequenino, nem se nota que está activo… mas dá um jeitão.
1Password. A versão 2 ainda tem bugs, mas a minha dependência não amainou. Memorizar palavras-passe deixou de ser um problema.
Online
Twitter. Mais palavras para quê? Bastam 140 caracteres na difusão de informação. (No Mac uso o Tweetie, no iPod Touch o SimplyTweet.)
Techmeme. As última notícias tecnológicas, sempre.
AppShopper e MacUpdate. (Eu sei, são dois favoritos… mas no meu sistema funcionam a par e passo.) Actualizações e novidades nas aplicações para o iPod Touch e para o Mac.
ScienceDaily. Leram o que disse acima sobre o Techmeme? Este é para as notícias científicas.
Readability. Revolucionou a minha forma de ler textos online.
No iPod Touch
Instapaper Pro. Revolucionou a minha forma de ler textos no iPod Touch. (Existe uma versão freeware, com menos capacidades.)
Simplenote. A facilidade de ter os meus textos automaticamente sincronizados entre o Mac e o iPod Touch (a usar em conjunto com o JustNotes).
Weather Pro. O melhor para a meteorologia… até Loulé lá está.
Bejeweled 2. O jogo que mais me viciou em 2009.
Stanza. Desde que saiu a v.2 que deixei de usar os outros ebook readers (com excepção do Instapaper, para textos online). O Stanza 2 é notável!
Outros essenciais
Meo. A maravilha de gravar programas e vê-los quando me apetece. (Também me poupou algum $$$ no acesso à internet.)
BookDepository. O que é a Amazon? (Bah!) O BookDepository tem melhores preços (não cobra portes de envio), não tem problemas alfandegários, e o envio é muito rápido. (O portal .com tem, normalmente, os preços mais em conta que o portal .co.uk.)
MacBook Pro. Acho que está atarrachado ao meu corpo.
iPod Touch. Acho que está atarrachado ao meu corpo II.
Trek FX 7.6 (a *minha* versão de 2009 aqui). Nunca pensei tornar-me uma verdadeira aficcionada do ciclismo… mas eis-me a fazer mais de 350km numa semana em Setembro no Cycle Oregon. Antes disso ainda deu para me estampar a sério e fracturar o úmero. Momentos memoráveis! (Infelizmente o inverno não favorece o ciclismo, mas a partir de Março volto a pedalar.)
Posted by Mac² on 04/11/2008

Imagem roubada indecentemente da melhor capa que o The Economist teve nos últimos tempos.
Não é segredo que esta minha casa é uma casa luso-americana (i.e. vivem cá duas pessoas, uma de nacionalidade portuguesa e outra de nacionalidade americana). Eu, a que não voto para as eleições que correm hoje nos EUA, fui durante muito tempo simpatizante de Hillary Clinton. Simpatizante essencialmente pela força de vontade e enorme capacidade de gestão que a senhora demonstra. E, sim, claro, porque acho que já é tempo da nação mais poderosa do mundo ser liderada por uma mulher. (Neste último caso mais pelo significado do fim do sexismo do que por outras razões: vejam-se os anos de governação quase ultra conservadora de Margaret Thatcher na Grã-Bretanha. Por outro lado, se fico agoniada com o mais leve pensamento de ter Sarah Palin como VP dos EUA, muito mais fico se a imagino como presidente).
De qualquer das formas, a meio das Primárias democráticas a minha opinião mudou e a Hillary deixou de ser a candidata que mais me agradava. Para isso contribuíram de forma significativa as atitudes de ambas as campanhas, em especial a menos positiva de Hillary Clinton. Seja como for, até ao fim das Primárias nunca me fez grande mossa tê-la a ela, e não Obama, na corrida à Casa Branca. Bem diferente é a minha perspectiva do candidato republicano. Eu não gosto de McCain. Tenho dúvidas sobre o seu real heroísmo no Vietman, acho-o de carácter instável e pouco conhecedor do mundo real (económico ou social). Pior, acho que a sua candidatura preconizou alguns dos momentos mais repreensíveis das eleições americanas (pelas mentiras, pelas omissões, pela atitude)… ao que se juntou a incrível escolha (pela negativa) de Sarah Palin para a vice-presidência. Diria mesmo: McCain a maverick? My ass! Sarah Palin a maverick? You betcha, the worse kind!
O que me traz novamente a Barack Obama.
Não acho que seja um messias e na realidade não sei bem como conduzirá a política (nacional e internacional) americana. Mas… gosto da forma como age. Pela primeira vez em 8 anos podemos ter alguém de facto inteligente a decidir as acções dos EUA.
Mais, temos alguém que já deu provas de que sabe estruturar uma equipa. Acreditávamos nós, há cerca de um ano, que o jovem Senador Obama poderia chegar tão longe? Não. Contudo, fê-lo e muito bem, rodeando-se de uma excelente máquina de venda de política e de imagem. E escolheu Joe Biden para VP, o que demonstra uma enorme dose de bom senso e noção das suas próprias limitações, em especial ao nível internacional.
Gosto de o ouvir. Quando estava nos EUA e segui o seu discurso, em directo, na convenção democrática, tive pela primeira vez pena de não ser americana: para poder votar nele e porque me fez acreditar que efectivamente a mudança é possível.
Gosto da forma como parece respeitar os adversários e as suas ideias.
E, principalmente, gosto da forma como foi educado: num mundo multicultural, em que não existe apenas a dicotomia do bem e do mal, do branco e do preto, do cristão e do muçulmano, mas sim uma variedade de cores, de raízes, de crenças.
Não sei se Barack Obama será um excelente presidente americano. Disso contará a história daqui a uns anos, se hoje for eleito. Todavia sei que tem potencial para tanto. E principalmente tem já no currículo a façanha de ter mudado (um pouco) a imagem dos EUA no mundo; basta agora que os seus concidadãos lhe dêem aval para ir mais longe. Se Obama for eleito, é a própria visão de um país que se transforma: um país que muitos acusam da racista, mas que passará a ser um país em que apenas alguns dos seus cidadãos são racistas. Um país necessariamente mais tolerante do diferente e, muito provavelmente, melhor defensor das liberdades e dos direitos civis. Será o fim de Guantánamo, uma das maiores vergonhas de um país que se auto intitula o arauto da democracia ocidental.
Se Barack Obama for eleito terá uma imensidão de tarefas a cumprir: políticas, é certo, mas essencialmente económicas e sociais. Não terá a vida facilitada pela conjuntura económica actual ou pelo histerismo negativo que vemos em algumas franjas da sociedade norte-americana. Já recuperar o tempo e a imagem perdidos internacionalmente será difícil, sim, mas julgo que menos complicado. (O mundo suspira pela alteração.)
Fico esperançada que Obama traga de facto a mudança. É isso de que tanto se fala: Change and Hope. Mas tenho a certeza que das mentes mais realistas corre ainda o seguinte pesadelo: E se Obama perde? O que acontece à renascente América? O que acontece quando a esperança morre?
PS. E já agora: que o NÃO à Proposição 8 ganhe na Califórnia.
Posted by Mac² on 20/09/2008

Simples.
Posted by Mac² on 16/09/2008
Finalmente, após anos de gaveta, parece que o casamento entre pessoas do mesmo sexo vai ser debatido na Assembleia da República.
Fonte: Público
A minha posição: absolutamente SIM! Como a nossa Constituição defende há já muitos anos no seu artigo 13.º (n.º 2):
Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
E repesco o que já disse noutro post:
Em 2004 Andrew Sullivan (também autor do blog The Daily Dish) escreveu na Time um extraordinário texto sobre o significado da palavra C.
C de Casamento.
Entre eles e elas, entre elas e elas e entre eles e eles.
When people talk about gay marriage, they miss the point. This isn’t about gay marriage. It’s about marriage. It’s about family. It’s about love. It isn’t about religion. It’s about civil marriage licenses. Churches can and should have the right to say no to marriage for gays in their congregations, just as Catholics say no to divorce, but divorce is still a civil option. These family values are not options for a happy and stable life. They are necessities. Putting gay relationships in some other category–civil unions, domestic partnerships, whatever–may alleviate real human needs, but by their very euphemism, by their very separateness, they actually build a wall between gay people and their families. They put back the barrier many of us have spent a lifetime trying to erase.
Sugiro a leitura do resto do texto do Sullivan. Merece a pena.
E não, como o Sullivan acima diz, o significado de C não é igual ao de união civil ou registo de união. E muito menos o é em relação à união de facto. (Para que não acreditem quando por aí dizem que é tudo a mesma coisa e que está tudo bem como está.)
Posted by Mac² on 10/06/2008

Antes de mais: a keynote de ontem foi chata para xu-xu. Como diria o outro: “acordem-me quando o Steve aparecer outra vez.” Um arrastar de demonstrações variadas das aplicações que podemos esperar para o iPhone. Para chegar ao caroço, à cereja, ao centro das expectativas — o iPhone 2.0 — tivemos que penar c. de hora e meia. (Valeu o canal IRC do Sixhat que serviu para um animado “chat”. Note-se que o Twitter até se aguentou melhor que o costume, mas o IRC cobria qualquer crash do primeiro, pelo que foi a escolha de grande parte dos fãs Apple em Portugal.)
Nos entretantos, houve um pequeno aparte para sobre o 10.6 — códido “Snow Leopard”, “Snowy” para mim. Pouco se sabe sobre ele, e pouco será divulgado nos próximos tempos (a tal claúsula de confidencialidade), mas já anda entre nós, em forma fantasma. Diz-se por aí que ser trata de uma melhoria do 10.5. Na minha opinião, uma melhoria muito importante e necessária, pois o Leopard está a demorar em afirmar-se como um OS estável.
Ao fim da tal hora e meia, depois de quase adormecermos, lá chegaram as novidades:
- O MobileMe (nome pouco conseguido, na minha opinião) substituí o .Mac. Mesmo preço, mais capacidade (20GB) e novas funcionalidades, essencialmente a nível de sincronização entre plataformas Apple e mobilidade. Um bom passo da Apple… esperam-se mais.
- O 3G é finalmente uma realidade. Do que experimentei no actual iPhone-não-3G (durante a última semana andava um cá por casa), a ligação à web é penosamente lenta e o melhor é efectivamente feito com a ligação wireless. Em relação ao iPod Touch, o actual iPhone vale pela câmara fotográfica (de boa qualidade), som externo e algumas das capacidades associadas a um telemóvel (SMS…), contudo a ligação à net via EDGE não é grande coisa. Ou seja, o 3G é absolutamente essencial, como aliás já se dizia.
- Mas o melhor é, sem dúvida, a pronunciada descida de preço: 199$ para o 8GB, 299$ para o 16GB. Isto a partir de 11 de Julho, inclusive em Portugal. Infelizmente, ainda não temos disponíveis os planos de preço das operadoras portuguesas (podem ver plano inglês no Spinning Beachball). Veremos o que nos espera dentro de algumas semanas: preços com e sem contrato, e que operadoras avançam realmente com a venda do iPhone.
Interessante é ver algumas reacções de utilizadores há muito fiéis a outros aparelhos e plataformas. Uma amiga, chefe financeira de uma firma nos EUA e furiosa utilizadora do Blackberry, mandou-me um email hoje, com o seguinte assunto: I’m in love. Nele, apenas um link: este. Calculo que muitos pensarão o mesmo.
Por mim, estou entusiasmada com o novo firmware (a lançar também em Julho). E sim, disposta a pagar 10$ (ou o que for em euros) para o ter no meu iPod Touch (grátis para o iPhone, mas não para o iPod Touch). Quanto ao iPhone… logo verei se merece a pena.
Posted by Mac² on 22/03/2008
Aqui está uma discussão regular: Apple fanboys versus Apple haters.
O New York Times têm um pequeno artigo escrito pelo Dan Mitchell sobre o primeiro fenómeno: The Thin Skin of Apple Fans
(…) many Apple fans “care little for honest opinion,” Mr. Manjoo writes. “They want to pick up the paper and see in it a reflection of their own nearly religious zeal for the thing they love. They don’t want a review. They want a hagiography.”
Concordo com alguns aspectos do que é por lá dito (já escrevi, aliás, várias vezes sobre o assunto). Andando pelos fóruns Apple (e principalmente Mac) já li muitos “Apple fanboys”, mas é um facto que também já li muitos “Apple haters”.
(Nota ao que é dito no artigo: Sim, também acho que o iPhone é demasiado caro e acho o esquema dos dois anos presos a um fornecedor a pagar mais de 30 euros por mês uma barbaridade. Provavelmente não comprarei o iPhone por causa disso mesmo. Já o iPod Touch — irmão esquecido, como imensa potencialidade — me parece bem mais razoável, mas espero a queda de preços normais no mercado.)
Infelizmente, o artigo do NYT só toca na ponta do iceberg. Faltam os outros: os “haters” são apenas mencionados tangencialmente e os fãs normais e saudáveis são totalmente ignorados (sim, sim… este são onde me incluo). O fenómeno Apple é uma macieira com mais ramos do que é dado a entender no artigo.
Dan Mitchel?!… Esse “Apple hater” afamado! (A ler com ironia, p.f.)
Posted by Mac² on 19/03/2008

Para quem, como eu, aprecia bons filmes ou séries de âmbito legal, fica aqui uma dica: Canterbury’s Law.
A personagem principal é uma advogada, Elizabeth Canterbury, que luta pelos seus clientes de forma altamente destemida e por vezes atravessando os limites do que é profissionalmente ético (não confundir com amoral, como muitos fazem). A vida pessoal dela é conturbada, para não dizer infeliz… A razão é simples: o rapto do filho há 3 anos atrás. Talvez por isso ela seja a advogada que é — luta como se não tivesse nada a perder.
Dos dois episódios que vi posso dizer que foram excelentes. Para isso ajuda ter um elenco de actores muito razoáveis, encabeçados por uma actriz muitíssimo boa: Julianna Margulies. Lembram-se dela no ER?
Definitivamente a não perder. (Na Fox Americana à 2ª feira.)
(Infelizmente, constou-me que até à greve dos escritores nos EUA apenas 5 episódios foram produzidos.)
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=MaxQvF71PJM&hl=en]
Posted by Mac² on

Apesar de gostar muito de algumas funções do OmniWeb (nomeadamente as tabs em barra lateral e o excelente controlo na visualização de páginas e “pop-ups”) e de algumas das capacidades Web 2.0 do Flock, a minha utilização de browsers restringe-se actualmente a apenas dois: o Safari e o Firefox.
Firefox: um mundo de oportunidades
O meu gosto pelo Firefox é já antigo e era o meu browser principal (e secundário) quando ainda usava PCs. Aliás, no computador geral do meu gabinete na Universidade, que corre o Windows XP e tem muito pouco uso (pouco uso meu, porque o meu colega usa-o regularmente), é sempre o browser utilizado.
Infelizmente sempre achei que o Firefox 2 se arrastava penosamente no meu Mac e que o “rendering” era de menor qualidade; por isso, sempre que tentava reutilizar o Firefox acabava por desistir ao fim do dia. Mas tinha pena, em especial porque permite a integração de inúmeras extensões que melhoram (e muito) as suas capacidades.
O primeiro beta do Firefox 3 que usei (o beta 2) foi uma agradável supresa: era mais rápido e permitia visualizações das páginas próximas das do Safari (essencialmente melhor “rendering”). Melhorou ainda mais com as versões seguintes. Actualmente o beta 4 parece-me muito estável e rápido e, por isso mesmo, decidi torná-lo o meu browser principal durante uma ou duas semanas para ver como se comporta.
Safari: integração (quase) perfeita
Quanto ao Safari: não há dúvida que é rápido e que se integra plenamente no Mac (pudera). Contudo, não noto diferenças de rapidez entre o Safari 3.1. (que instalei ontem, uma vez que os componentes extra que utilizo — o 1Password e o Saft — já têm versões compatíveis) e o Firefox 3 beta 4. E gosto do browser oficial da Apple, apesar de achar que está demasiado despido de capacidades: não podemos controlar a forma como visionamos as diversas páginas, não controlamos os pop-ups, etc. É por isso, aliás, que utilizo o Saft. Juntemos ao Safari o Saft (e já agora o Inquisitor) e o Safari ficava um browser excelente.
Até porque ainda prefiro a forma como o Safari “vê” as páginas online: as letras são mais nítidas e, muitas vezes, os cantos das caixas são menos angulosos.

Por isso…
O meu coração balança entre o Safari e o Firefox… como provavelmente vai balançar a utilização que vou dar aos dois. O Firefox abre um mundo de extensões e oportunidades, o Safari ainda ganha no “rendering” e nos toques afinados na visualização de páginas.
Mhhh. Veio-me agora à cabeça uma música pimba do Marco Paulo. Porque será?
Posted by Mac² on 04/03/2008

Porquê fazer a apologia do shareware?
Por duas razões. Primeiro porque abrindo a minha pasta de aplicações é notório que a grande maioria pertence a esta categoria. Segundo porque, comparativamente, muito mais gente defende o freeware, seja de forma organizada (em texto construído para o efeito), seja nos comentários soltos que vou lendo quando ando por blogues, fóruns e outras páginas. Se os primeiros casos são muitas vezes de leitura agradável, nos segundos, infelizmente bem mais comuns, é dita muita barbaridade.
Mas antes de passar ao sumo do texto, convêm deixar aqui duas definições e um preâmbulo.
Freeware: software cuja licença de utilização é oferecida gratuitamente pelo autor. Normalmente, apesar desta gratuidade, o autor mantêm o copyright; ou seja, o software não pode ser alterado sem a sua expressa autorização. (Não confundir com Open Source cujo código original do software é fornecido sem pagamento e que pode ser redistribuído com ou sem modificações.)
Shareware: software que normalmente é distribuído de forma gratuita, na maioria dos casos com validade temporária, e cujo autor pede o pagamento de algum dinheiro se esse uso for continuado.
O preâmbulo (à laia de “disclamer”): da minha experiência há muito bom freeware por aí; basta pensar em aplicações como o Cyberduck, o Skim, o Bean, o Quicksilver, o Butler, etc. Algum deste software tornou-se indispensáveis para mim e considero-o melhor que qualquer shareware ou aplicações comerciais disponíveis no mercado para o mesmo efeito.
O sumo da apologia
Contudo, na maioria dos casos, existindo versões freeware e shareware dedicadas a uma mesma tarefa, *quase sempre* o shareware é melhor. Porquê? Bom, é uma questão de sobrevivência e lei do mercado: quem é retribuído monetariamente pelo que faz tem obrigação de manter um produto mais actualizado, normalmente com mais capacidades.
Por exemplo, se o Bean deixar de ser desenvolvido eu terei pena, claro, mas não posso exigir ao autor o mesmo nível de assistência que exijo de um software pelo qual paguei. O grau de exigência para com o freeware não é o mesmo que o do shareware. E isso *normalmente* reflecte-se no produto final.
Paralelamente, é extremamente duvidoso que programadores como o Gus Mueller, o Daniel Jalkut, o pessoal da Panic ou do OmniGroup (etc.) fizessem os excelentes programas que fazem sem serem remunerados por isso. É esse o seu trabalho e o seu emprego, tal como o meu é de professora e investigadora.
Daí que me irrite solenemente quando tanta gente compara dois produtos com objectivos semelhantes e, invariavelmente, diz que o freeware é o melhor sem qualquer avaliação crítica das capacidades técnicas da aplicação. Sim, sim — é o melhor em termos de preço, que é zero. Mas em termos de capacidades, actualizações, suporte e estabilidade, o freeware e o shareware raramente se equiparam, com saldo positivo para o segundo.
Pior: muitos fazem da defesa do freeware um cavalo de batalha. Não se pode usar um Mac Pilot porque o Onyx faz muitas das mesmas coisas de borla. Não se pode usar um LaunchBar porque o QuickSilver é mais versátil e… é de borla. Não se pode usar um Baseline ou um WhatSize porque o produto X é de borla. (Etc, etc…)
Pois. Mas eu ainda continuo a achar que o Onyx de quando em quando descamba e não faz o que se lhe pede; para lá disso não se sobrepõe ao Mac Pilot que está vacacionado para tarefas diferentes (dou este exemplo porque li uma comparação dessas ontem). O Quicksilver — na minha experiência — é mais instável e demorado que o LaunchBar. E o Baseline permite-me fazer a evolução do uso do meu disco ao longo do tempo e apagar ficheiros ou pastas directamente a partir da aplicação.
Para mim, e já o disse antes, noutros posts, os programadores indie em Mac são do melhor que há e, de entre eles sobressaem os que distribuem as suas aplicações em formato shareware. Falo de um Scrivener, um MarsEdit, um Default Folder X, um Hazel, um TypeIt4Me, um Yep, um SuperDuper!, um OmniOutliner, um DEVONthink, um Together, um Speed Download, um PDFClerk… Prefiro-os a qualquer produto comercial. Porquê? Porque lhes mando um email e tenho resposta em menos de 24 horas. Porque tenho um bug e me tentam resolver o problema o mais depressa possível, ao ponto de me mandarem uma versão personalizada.
Nem tudo é perfeito, claro. Há alguns programadores que abandonam os seus sharewares ao deus dará. (Delicious Generation, anyone?) Outros põem um tempo de avaliação ridículo. Outros ainda não dão suporte técnico de jeito. Há muito shareware que não vale um pepino podre, bem como há shareware cujo preço é muito acima da sua real qualidade e valia. Aliás, há já algum tempo que antes de comprar uma aplicação me certifico que o suporte existe e é bom. O meu tempo de ingenuidade já passou: prefiro um programador com boa fama e de qualidade comprovada a um produto com beleza exterior. E, se possível, prefiro juntar os dois.
Isto não quer dizer que não goste de freeware (ou, num sentido diferente, das aplicações desenvolvidas em Open Source). E que não lhe reconheça qualidades; por vezes muita. Mas para mim a borla não é o elemento mais importante, nem sequer é essencial. Talvez porque o posso fazer, possivelmente mais que muita gente.
Conclusão da apologia
Tantas palavras para dizer que grátis não é sinónimo de qualidade. Tal como o oneroso também não é. Por isso prefiro avaliações inteligentes que vão além de: “Não vou comprar isso [que não testei e não conheço, mas cujas capacidades li na diagonal e cujo preço me ficou escarrapachado na alembradura] porque há outra aplicação que faz o mesmo e é de borla.” Ao menos digam: “Não posso/quero comprar pois a versão freeware que utilizo faz o que necessito e bem.”
No fim do dia, o que eu quero é qualidade e, quando utilizo o meu computador, a grande maioria do que eu considero qualidade é shareware. E o bom freeware? Isso, meus caros, é a surpresa que adoça ainda mais o bolo. Tão doce que por vezes quero premiar o esforço do programador.
Adenda: o donationware
E já agora aproveito para perguntar: quantos de vós já doaram dinheiro a projectos freeware (vulgo donationware)? Aqui ficam dois que merecem a pena o contributo: o Cyberduck e o iStats. E se o Growl alguma vez for actualizado para Leopard também terá o meu contributo… até lá reservo o meu dinheiro para outros programas de qualidade.